Hoje
acordei bem sensível. Dormi bem, mas demorei para me levantar e aí os
“fantasmas da minha voz” conversam comigo.
Há muito o
que falar, mas não consigo falar, como se houvesse hora certa para falar coisas
do coração.
Ontem
experimentei duas coisas muito importantes para esse meu momento: experimentei
a raiva e a multiplicação dramática. A raiva foi colocada na aula de Role
Playing e percebi que me deixou com o sangue fervilhando. Não costumo perder as
estribeiras e isso se intensificou depois que vim morar na casa do meu tio.
Ontem percebi o quanto é importante se impor, colocar seus valores se eles não
ferem ninguém. E a questão fica: a quem eu quero me impor? Por que o bolo de
catarro preso na sessão de quinta? Com quem eu quero gritar?
Acho que
muita coisa passa pela minha cabeça e metade dela eu consigo externalizá-la. É
difícil mesmo, por isso acho que esse “novo” formato desse blog pode me ajudar
a não acumular palavras na garganta, mesmo que elas sejam jogadas ao vento
cibernético.
A
multiplicação dramática foi uma experiência também energizante. Percebi que
alguns conceito de Deleuze e Guattari (que tanto almejo conhecer) estão dentro
de mim. Eu preciso escrevê-los e compartilha-los para saber se estou mesmo
compreendendo. São conceitos difíceis mesmo. Para mim foi uma belíssima junção
do que eu estou fazendo no Mestrado e do que estou vivenciando no Psicodrama.
Foi uma belíssima escolha e as pessoas que me circulam nesse ambiente faz São
Paulo ganhar sentido e cor.
Há um vício
na minha família de cobranças, maior exemplificação disso foi ontem, quando meu
irmão perguntou “quando vc vem para cá, para meu pai ficar mais feliz?”. Por
que a pergunta tem que ser assim? Por que não falar em saudade, em desejo de me
ver ou sei lá? A felicidade dos outros não está na minha mão. Eu não consigo
nem dá conta da minha! Como farei isso com a dos outros?
Muita coisa
está acontecendo e me sinto em dois caminhos aparentemente opostos (um
verdadeiro rizoma – credo!). Um de reterritorialização de tudo que estudei e
nesse momento de produção que tanto está me custando, mas que ao mesmo tempo
está sendo muito prazeroso. E de outro uma desterritorialização dos meus
sentimentos amorosos. Quanto a esse tema não quero escrever porque ele está
precisando de um tempo para aparar o caos dentro de mim (e novamente eu faço
uma tempestade com as coisas...)




