sábado, 17 de setembro de 2011

Aion

Acho que agora consegui entender a discussão que tive no fim de semana. Idades não são cronológicas, não são da ordem do cromos, mas sim do aion que significa o “presente que faz jorrar dentro de si o tempo” e também do kairos que “é o momento adequado, o bom momento para decidir e fazer” (1). Explicando melhor: 26 anos para uma mulher não é o mesmo número que para um homem, especialmente se é nesse momento que um ciclo (ou uma outra vida) começa. A questão agora para mim é saber o quanto eu faço parte dessa nova vida.

 Fazer terapia é algo surpreendente: leva-lhe a caminhos que você sozinho não chegaria. Eu tenho uma certa tendência a viajar na maionese, pensar demais, cogitar demais, e no fundo as coisas são muito mais simples do que ela se apresenta. No profile do meu namorado tinha escrito que a vida é realmente simples, nós que complicamos ela. Acho que juntando isso a tudo que nos aconteceu, faça sentido nossa discussão.

Porém por mais que agora eu esteja em paz (sem pesadelos), gostaria muito de escutar com firmeza os medos, as inseguranças e os anseios. Tudo isso acaba me desfocando, porque eu fico numa tensão. Na verdade eu estou numa tensão muito grande e meu namoro (mesmo a distância) me tranquiliza, é um momento de respirar.

 (1) Pelbart, Peter P. “A Nau do Tempo-Rei”. In: A Nau do Tempo-Rei. Rio de Janeiro: Imago ed., 1993.

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